terça-feira, 12 de abril de 2011

DÉDA SEQUER DIALOGA COM OS MOVIMENTOS.

Quem diz é o presidente da CUT/SE, que expõe realidade do relacionamento Governo x sindicatos

Nesta semana, a Central Única dos Trabalhadores de Sergipe (CUT/SE) dará continuidade à série de entrevistas com sindicatos e movimentos sociais que atuam no Estado. O objetivo é dar voz aos posicionamentos da classe trabalhadora acerca dos principais temas de interesse público. Nessa quarta edição, o presidente da CUT/SE, Rubens Marques, o professor Dudu, fala sobre a relação entre o Governo do Estado e os movimentos sindicais. Entre os assuntos estão a Mesa de Negociação Permanente, a atuação das entidades sindicais e do Governo, e a criação da Subsecretaria de Estado da Articulação com os Movimentos Sociais e Sindicais. Rubens Marques revela como o atual Governo está lidando com os movimentos sindicais, em especial com a Central Única dos Trabalhadores, além de avaliar e apontar as perspectivas da Central para esse diálogo, a partir da criação da Subsecretaria. A entrevista:

CUT/SE - O que representa a Mesa de Negociação? Qual a sua função? Como ela funciona?
Professor Dudu - A Mesa de Negociação foi proposta pela Central Única dos Trabalhadores do Estado de Sergipe (CUT/SE) ao Governo do Estado quando o companheiro Antonio Carlos Góis era presidente da entidade. A Mesa de Negociação é um instrumento importante para os servidores públicos, por antecipar o debate e facilitar a resolução dos conflitos no que se refere à questão salarial bem como condições de trabalho. Se a Mesa funcionar não teremos o mesmo nível de tensão entre movimento sindical e governo na hora dos reajustes salariais. Uma coisa é você discutir a revisão salarial, planos de carreiras, estatutos de forma permanente, outra é discutir no calor das mobilizações e greves.

CUT/SE - Em 2007, o Governo de Sergipe instituiu a Mesa de Negociação Permanente no âmbito da Administração Pública Estadual. O objetivo era viabilizar o debate entre a administração estadual e as categorias do funcionalismo público. Por quanto tempo essa Mesa de Negociação realmente atuou? O objetivo foi alcançado? Quais foram as conquistas e dificuldades que os trabalhadores encontraram durante todo esse período de negociação com o Governo do Estado?
Dudu - A Mesa de Negociação funcionou enquanto Nilson Lima foi Secretário da Fazenda do Estado. Ele era o coordenador da mesa. Depois que ele deixou o governo, o comando passou para Jorge Alberto, que na época era Secretário de Administração. No entanto, os trabalhos não foram retomados. Por último a imprensa anunciou que o novo coordenador seria o sub-secretário Chico Buchinho, que até aqui, também não reinstalou a mesa da forma proposta originalmente. Ele tem atendido somente alguns sindicatos para tratar de questões pontuais.

CUT/SE - Em seus discursos, o governador Marcelo Déda sempre enfatizou que o seu governo estava aberto para um processo de negociação amplo e permanente com os servidores públicos. No entanto, o que a realidade enfrentada pelos trabalhadores e seus sindicatos mostra? Qual tem sido a postura do Governo?
Dudu - Pelo menos com a CUT/SE, eu posso afirmar que não há diálogo. Se ele, pelo menos, determinasse que os representantes do governo dialogassem permanentemente com o movimento sindical, já seria um avanço, mas nem isso acontece. Se houvesse interlocução do governo com o movimento sindical, os gestores públicos não estariam agindo no sentido de não reconhecer as entidades, como o SINDETRAN e do Sindicato 192, apesar da Procuradoria Geral do Estado (PGE), já ter reconhecido a legitimidade dos sindicatos.

CUT/SE - Recentemente, o secretário de Estado da Fazenda, João Andrade, afirmou que o Estado não tem dinheiro para o pagamento da revisão salarial do Piso salarial dos professores, nem para o reajuste salarial dos servidores públicos (que deverá ser mínimo). No entanto, muitos sindicatos (a exemplo do SINTESE) já afirmaram que entendem que o Secretário da Fazenda tenta colocar para os servidores estaduais uma realidade de receita que não bate com o comportamento de arrecadação nos primeiros meses de Janeiro e Fevereiro de 2011 comparando com o mesmo período do ano passado. Como você analisa essa situação? Você acredita que existe transparência no Governo de Sergipe quando o assunto é finanças?
Dudu - Não é uma questão de transparência, e sim de não reconhecer a importância do servidor, que sempre foram vistos como um fardo para os governos. Até parece que a máquina está desconectada do trabalho dos servidores. Geralmente os Secretários da Fazenda fazem projeções econômicas catastróficas, eles são pessimistas por excelência. A questão é que as previsões pessimistas de João Andrade ainda não se confirmaram desde que ele assumiu a cadeira que era de Nilson Lima. Ainda bem. É importante destacar que, no caso da implementação do Piso Salarial dos Professores, ele havia dito que o governo não teria condições de implementá-lo e o DIEESE ponderou e provou que ele estava errado.

CUT/SE - O Estado já anunciou a criação da Subsecretaria de Estado da Articulação com os Movimentos Sociais e Sindicais, que será responsável pela coordenação permanente da Mesa de Negociação com os servidores públicos e da relação com os movimentos sociais. O órgão ligado à estrutura da Casa Civil foi criado no último projeto de reforma administrativa do Estado, aprovado pelos deputados estaduais em março deste ano. Como você avalia isso? Qual é a expectativa da CUT com relação a essa subsecretaria?
Dudu - Acho importante a criação da sub-secretária no âmbito estadual. No Governo Federal já existe pasta semelhante e tem funcionado, espero que aqui funcione também.

CUT/SE - À frente da pasta da Subsecretaria de Estado da Articulação com os Movimentos Sociais e Sindicais estará o ex-secretário e ex-vereador Chico Buchinho. Qual a sua avaliação dessa nomeação? Qual será o papel de Chico Buchinho nesse processo de negociação junto ao Governo e o Movimento Sindical?
Dudu - É inegável que Chico Buchinho é homem de diálogo e conhece o movimento sindical, mas é preciso saber qual a autonomia que ele terá nas negociações, porque dialogar tem limites. Chegará o momento que além do diálogo é preciso ter proposta concreta na mesa para apresentar. Quando eu falo de autonomia não estou querendo desqualificá-lo, mas alertar para o centralismo do Governador e da Secretaria da Fazenda.

Fonte: CUT/SE / Universo Político

3 comentários:

Anônimo disse...

NOSSO GOVERNADOR AINDA NÃO SE MANIFESTOU AINDA SOBRE A DATA BASE DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL... SERÁ QUE ELE QUER FAZER COMO JOÃO ALVES... 4 ANOS SEM AUMENTO! O PARTIDO DO TRABALHADOR DEVE SER PELO TRABALHADOR!

Anônimo disse...

O NOSSO SALÁRIO A INFLAÇÃO ESTÁ DESVALORIZANDO A CADA DIA! E A ISONÔMIA SALARIAL,É JUSTO O TRATAMENTO DADO A PMSE?

Anônimo disse...

CADÊ AS CHARGES DO BLOG DA CAIXA BENEFICENTE, JÁ VI O QUE É BOM DURA POUCO! TANTAS OUTRAS COISAS PARA CORTAR!