quarta-feira, 20 de abril de 2011

MILITARES DO RIO DE JANEIRO PROTESTAM E SOFREM REPRESÁRIAS.

Guarda-vidas e representantes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar realizaram hoje pela manhã um protesto na orla de Copacabana, na Zona Sul da cidade. O objetivo dos manifestantes, todos não-fardados, foi serem recebidos amanhã ou terça-feira pelo governador Sérgio Cabral para discutir aumento salarial e melhores condições de trabalho, principais reivindicações da classe.

No próximo dia 21, feriado de Tiradentes, os guarda-vidas de todo litoral do estado farão uma paralisação simbólica. Nesse dia, eles vão trabalhar sem farda, convocando até o contingente de folga, mas garantiram que a população não ficará desguarnecida.

Os militares se dividiram em dois grupos no protesto, um deles percorrendo o calçadão e o outro a areia, distribuindo folhetos em que pedem o apoio da população e divulgam o site do movimento, (sosguardavidas.com). Se não conseguirem ser ouvidos pelo governador, os manifestantes pretendem realizar novo protesto na quarta-feira. A concentração, caso se verifique, está prevista para as 13h, no Largo do Machado, de onde pretendem seguir em caminhada até ao Palácio Guanabara.

O movimento tinha fretado no Rio um avião que circularia pela orla hoje levando uma faixa informativa com os dizeres "Bombeiros pedem socorro". No entanto, segundo informações, na tarde de sábado, o comando do Corpo de Bombeiros impediu o voo e confiscou a faixa. Para o movimento não fracassar, os manifestantes contrataram um segundo avião, desta vez em Maricá, na Região Metropolitana do estado, e confeccionaram uma segunda faixa. O voo acabou acontecendo por volta do meio-dia na orla da Zona Sul.

- Nosso protesto é uma reação à política do governo do estado que insiste em desrespeitar, desvalorizar e desmerecer o trabalho dos bombeiros. O movimento nada tem a ver com a postura dos comandantes das unidades operacionais. E mais, não estamos contra a população, pelo contrário, nossa missão é salvar vidas e precisamos do apoio da coletividade - diz o cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, um dos manifestantes.

Os guarda-vidas prepararam um manifesto que foi encaminhado, com protocolo, ao COI, aos Deputados Federais e aos presidentes da Câmara, Deputado Marco Maia, e do Senado, Senador José Sarney.

No documento, a primeira revindicação dos manifestantes é a redução do número de parcelas do aumento proposto pelo governo, de 48 para 12 parcelas. A demanda seguinte é a equiparação da gratificação dos guarda-vidas à concedida ao Bope e ao Core, unidades especializadas da PMERJ e PCERJ. O terceiro ponto é a reivindicação ao auxílio transporte e o quarto é a melhoria das condições de trabalho.

-Trabalhamos o dia inteiro no sol e não temos nem filtro solar. O pouco que usamos recentemente foi sobra de um curso e está com data de validade vencida. Colegas nossos estão com câncer de pele. E não temos nadadeiras, rescue-tubes (boia especial para salvamento), nem pocket-masks (máscaras de ventilação para uso em afogados) - reclama um manifestante. - Não dispomos de viaturas, jet-skis, quadriciclos e nem ao menos de binóculos. Os postos de salvamento são inadequados e a nossa escala, que é de 12 por 36h, é altamente nociva à saúde. E os guarda-vidas de fora da capital não têm lugar para trabalhar, para se alimentar e nem para ir ao banheiro. Queremos também que não haja, contra nós que estamos participando do movimento, qualquer retaliação, tal como expulsão, prisão, suspensão ou remoção.

O comando da corporação colocou observadores no local do protesto, um deles munido de câmera fotográfica, com o objetivo de identificar os participantes do movimento. "Por estarem sem farda e de folga, esses militares não estão cometendo qualquer infração. Mas caso provoquem algum distúrbio, precisamos estar munidos de informações a respeito", disse um dos observadores.

Fonte: O Globo

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